sábado, abril 18, 2009

Nothing Hill again

Sabe, eu sou uma pessoa muito conservadora, dogmática, apegada ao passado. Como tal, tenho a tendência de fazer as coisas durarem, às vezes demais. Eu demoro a gostar de alguém, e uma vez começando, demoro também para deixar de gostar. Eu gostei por muitos anos [uns 3 ou mais] de um ex-namorado, o que me impediu, mas que foi meio que uma desculpa, de tentar gostar de outras pessoas. E quando o sentimento estava esgotando, ele me procurou, disse que era só para ver como estava. Tenho minhas desconfianças, ainda mais sendo ele o que sempre foi, e dizendo que "nosso caso era de destino", que "não importa quanto demore, um dia a gente se acerta"... Mas quando dizia isso, namorava há uns 2 anos, pelo menos, que eu saiba... E tal. Então comecei a gostar de outra pessoa. Faz mais de um ano. Não disse a ninguém, até agora. Acho que talvez uns 2 anos... Disgusting. Depressive. E eu realmente queria ter certeza das coisas. Queria conversar, perguntar "qual é". Não, meu bem... Não quero nada sério. Mesmo. Nem mesmo "exclusividade". Mas isso é complicado. Não por mim, que fique claro. As outras pessoas complicam. Porque se metem no meio. Porque me interrogariam: "como assim você não liga [para o fato de ele ficar com outras pessoas ao mesmo tempo]?" É. Eu não ligo. E não gostaria de ficar com mais ninguém. Não. Só queria abraço de vez em quando. E só.


 

Tudo seria muito mais fácil se já não tivesse ficado com ele – mesmo que não lembre nada, absolutely nothing about that night come back to my memory, at least... Seria muito mais fácil se não me importasse. E eu lutei tanto para que nada estragasse meu autocontrole, eu tentei tanto não querer, eu tentei tanto e me sabotei. Fiquei bêbada e fiz besteira. Ops! E nem sei o que fiz. Não sei o que aconteceu. Duas pessoas sabem o que aconteceu. Ele. E minha memória apagada. O que eu posso fazer? Perguntar? "Olha, benzinho, você não se importaria em me contar direito o que aconteceu naquela noite? Por que eu, eu não lembro..." Hmmm... Muito sei lá o quê. Fugiu-me a palavra da mente. Algo repugnante... Quem esqueceria algo assim? O que ele interpretaria? "Oh! Ela realmente não se importa..." Bem, não quero dizer que me importo, mas também não quero que pense que não. Que portas estaria fechando se fizesse isso? Se é que já não estão fechadas... Mas por que é então que sempre fico com a impressão de correspondência? De que tenta colocar-se sob meus olhares, chamar minha atenção? Pegar café para mim, me dar bombom, me cutucar toda vez que passa por mim, pegar minha mão no corredor e dizer: vamos gerar fofoca!, dizer que deveria fazer a mesma residência que ele e me casar com ele...?


 

Ok. Wake up, Ellen. Just breath and get away...


 

"And don't forget that I'm just a girl staying away in front of a boy, asking him to love her."

sábado, abril 11, 2009



 

Outro dia a minha psicóloga nova – a de antes está de licença maternidade – me disse que tinha a impressão de que eu sou alguém impaciente que está esperando por alguma coisa. E então ela perguntou pelo quê eu espero... Fiquei assustada. Nunca tinha me perguntado isso. Sempre me identifiquei com a música do Raul Seixas que diz que espera para saber o que dizer/fazer. Mas na hora que ela perguntou eu soube a resposta. E tive medo. Por que tudo que espero nessa vida é que algum dia alguém goste de mim. E não tem nada a ver dizer que isso é muita baixa auto-estima. Não tem nada a ver. Do resto eu dou conta. Eu gosto de mim. Eu me conheço. Dou conta das minhas escolhas. Serei uma boa médica. Tudo que quiser sei que consigo, é só não desistir. Mas alguém gostar de mim não depende só de mim. Aí fudeu... É algo que eu não tenho o menor controle.

 

Comentei com uma amiga. Chegamos à conclusão que no fim é o que a maioria espera. Posso dizer que estou feliz. E poderia ser mais feliz. Se alguém gostasse de mim. Se... Será que se eu fosse menos agressiva, como pedem meus amigos, seria mais fácil? Será que alguém algum dia já gostou de mim e eu nem fiquei sabendo por que teve medo de mim? Será que se eu fosse mais bonita, mais magra, ou mais burra, será que seria mias fácil alguém gostar de mim? Se, se, se...

 

Mas, como tenho dito, tenho preguiça de sofrer. Seja lá o que tiver que acontecer, infelizmente eu não sei, e não tenho como controlar. Que esteja claro, as coisas são bem mais fáceis de ser ditas quando não se gosta de ninguém.

domingo, março 01, 2009

Oi, meu único leitor! =)

Acontece que eu estou feliz. Achei que não iria suportar o internato na clínica médica, que meu negócio é mesmo a cirurgia e tal. Mas sinto como se tivesse esperado a vida toda até chegar agora para ser feliz. Realização é a palavra da vez.

Fico muito feliz de fazer o que faço. Hospital o dia todo cansa demais, muito mesmo. Interno deveria receber por quilômetro rodado dentro do HU... Mas eu estou feliz mesmo assim. Nunca pensei em ser médica para salvar ninguém. Sempre achei que a minha função seria ajudar, não salvar ninguém. E, surpresa! Estou adorando a novidade.

Descobri que sei muito mais do que achava que sabia, e muito menos do que tenho que saber. Mas ainda tenho 2 anos, quase.

Sabe, a vida não está perfeita e tal. E que graça teria se assim fosse? Ainda acho que deveria gostar de alguém, mas, fazer o quê?

Acho que é só.