Eu tenho/sofro duma preguiça existencial. Uma vez uma psicóloga me disse (e fiquei de fato surpresa) que eu tinha medo de viver. Encaro sempre dizendo que é preguiça. Porque ter medo é coisa de gente frescurenta.
Somente a pouco (coisa de um mês, se tanto) descobri que “poha! Sou introvertida!” – porque não parece mesmo. Na medida em que falo pelos cotovelos quando quero e não tenho muito pudor de nada – tipo dizer que tenho diarreia crônica e se saio correndo é para cagar e que “mijo” também com certa frequência... Pois veja bem, aqui me explico: fazer xixi é coisa de mocinha. Imagine uma situação. Você vai sair de casa, e não tem como ter certeza de quando será possível frequentar um banheiro decente, você vai ao banheiro antes de sair (de casa) fazer um xixizinho profilático. Mas, ao contrário, quando a urgência é grande e foda-se a condição sanitária do banheiro, você solta um mijão, daqueles com todas as letras maiúsculas, que faz barulho mesmo – um jato de urina que te deixa feliz E satisfeita de ser capaz de tal ato masculino – mas nem precisa ser em pé, poxa vida! Tudo isso só pra explicar que não “pareço” introvertida. Mas só que eu sou. Tenho preguiça de sair de casa, de atender telefone, de me socializar com desconhecidos – vão todos à merda, ora bolas, não preciso de mais ninguém participando da minha existência.
Aí que a preguiça impera, né. Tudo me pergunto “pra quêêê?”
“Pra que me explicar?”
“Pra que pedir desculpa, se a palavra dita já foi ouvida e foda-se não preciso de fulano mesmo...”
“Pra que fazer agora se foda-se o depois o mundo vai acabar mesmo e nada significa porra nenhuma?”
Um universo de “pra que(s)” dominam meus dias na Terra e justificam toda a preguiça do meu ser.
O exemplo mor da introversão é que ODEIO quando não posso voltar pra casa nenhum momento durante o dia. Acaba com minha existência pacífica, fode de vez com meu humor. Desejo ardentemente que todos explodam, porque raios me incomodam tanto? CÉUS! E eu só queria ficar 15 minutos em silêncio comigo mesma – no máximo os cachorrinhos por perto (porque ou eles entendem totalmente ou não importa, o fato é que ficam quietos e me amam em silêncio). Preciso da TV ligada, de algum ruído de fundo que seja completamente impessoal, mecânico (daí o rádio, música, TV). Pra ter tempo de reorganizar a insignificância da minha existência e aguentar o resto do dia sem berrar nem matar ninguém.
Tem quem chame depressão. Eu prefiro preguiça. Não sei se um dia vou deixar de me sentir cansada. Mas também não importa, desde que tenha pequenos momentos de recarregar a tolerância.