sábado, novembro 09, 2002

Eu estava um pouco, ahn... apreensiva com a situação, um tanto nova para mim. Sabia, bem lá no fundo, que seria uma dessas experiências inesquecíveis. Retesei todos os músculos sob meu controle consciente. Talvez este tenha sido uma das causas para tamanha dor, sentida mais tarde. Conseqüências tardias, não..?

Sai do transe - o qual, aparentemente, durou horas de terrível ansiedade; mas eu sei, agora, passados dois dias, durou segundos, dois ou três (por aí percebe-se o grau de paranóia que eu estava). Observei aquele objeto pontudo, rígido, vindo em minha direção. Novo transe: fiquei imaginando qual seriam as conseqüências do que iria acontecer comigo em pouquíssimo tempo. Arrepios percorreram todo meu corpo. Um deles extravasou, manifestou-se em mim como um choque. Tremi.

Decidi então bloquear todo o medo e aceitar aquilo. Um dia teria que acontecer, que fosse agora! Preparei-me. Mas os músculos continuavam rijos. "Vamos, vamos", pensei, "relaxar, re-la-xar!". Voltei a olhar o meu algoz, tão temido e, ao mesmo tempo, de certa forma, esperado... Percebi que o objeto estava mais próximo ainda de mim - mas isso é lógico! (a lógica inexiste nessas circunstâncias, entendi então). Naquela hora, o único remédio seria aceitar passivamente que o extracorpóreo se tornasse intracorpóreo. Imagina, o que diria minha mãe, meus amigos, o resto da humanidade, se eu, em plenos 18 aninhos, resolvesse ter um ataque histérico num momento tão fundamental para todos?

Relaxei... Senti o objeto sendo introduzido, a picada. E o líquido, extravasando o objeto, fluindo rapidamente dentro de mim. Mas DOEU!!! E, porra! Ainda tá doendo... Meu braço tá doendo pra caramba! A Dona Enfermeira deve ter me achado com cara de vaca, deve ter pensado que eu 'tava lá pra vacinar-me contra a Febre Aftosa... e não a p* da terceira dose contra Hepatite C. Preciso dizer que isso aumentou consideravelmente minha auto-estima? Poie é...

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