quarta-feira, abril 09, 2003

----->No ponto de ônibus
Passa um menininho. Com cara de homenzinho, independente e responsável. Descendo do ônibus e indo para a creche. De uns 4 ou 5 anos.

E eu fico me perguntando que tipo de 'gente grande' ele será. Como a mãe, como o pai. Como a maioria dos brasileiros. Com alguma sorte termina o ensino médio. Com muita-muita sorte, consegue fazer um curso técnico ou outro que ele e os pais pensam servir como um diferencial na hora de obter um emprego formal. Na verdade não adianta muito.

Com muuuuuuuuuuita-muuuuuuuuita sorte mesmo, conseguirá cursar uma faculdade. Ou paga ou um curso numa faculdade pública em que o vestibular não signifique diploma de cursinho pré-vestibular.

O que interessa é que ele terá a mesma vida dos netos, filhos, pais, avós, bisavós... Quer dizer: somos acostumados a achar a sociedade indiana, com seu sistema de castas, um pleno absurdo, mesmo no passado. Na Índia as pessoas são 'condicionadas' a nem mesmo ambicionar uma nova vida, outra classe social [=casta]. Elas têm uma religião que diz a elas que se forem boas pessoas e não desejarem o que não as pertencem, teram uma próxima vida melhore que a anterior.

E aqui, no brsil? A coisa é muito diferente? Não, não é... É quase sempre a mesma coisa, quase uma Índia ocidental. Com a diferença de não termos uma cultura milenar, não temos nenhuma consciência [nem a religiosa nem a normal]. Não reconhecemos que em terras tupiniquins há uma imobilidade social nada latente.

Concluo que nosso sistema de castas é tardio e injusto. Precário.

As pessoas tendem a não sonhar. Ou a não correr atrás de seus sonhos. [sei lá... eu nunca sei como terminar as coisas]

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