quarta-feira, abril 16, 2003

Às vezes eu só queria não ser assim - não ser eu, não ser nada. Não ser distímica (ou distêmica, ou não ter distimia). E por maus que eu não sinta "tesão" algum de viver, por mais que acordar mais um dia e constatar que mais um dia se inicia seja uma merda, e por mais fraca que eu seja, ainda luto(no sentido da lida diária, da vida em si) e brigo com o tempo.

Por que acho que meu tempo não é agora. Por que vou vivendo para acumular tempo, para perceber o mundo e quando possível aprender com ele. Porque eu tenho medo de não morrer. Ou que isso demore tempo demais para acontecer.

Talvez eu só encontre um sentido para essas coisas todas mais tarde. Como se agora ainda fosse cedo. Como se eu ainda não soubesse o necessário para poder saber mais.

Às vezes acho besteira minha ficar procurando sentido em tudo. Devo ser mesmo um saco de pessoa. Mas daí eu lembro que eu sou assim e se tentar mudar conscientemente (forçosamente) não serei mais eu.

É meio embolado e de vez em quando eu me embolo toda comigo mesma. Por isso essa necessidade tão grande de escrever. Por mais que ninguém leia, são meus registros "fósseis". Sim: quer dizer que eu passei pela vida, um dia eu existi. Além disso, tenho um ponto de apoio para quando me perco (de mim, ou não).

No fim das contas, o que mais quero é ser. Ser livre, independente. Ser notada, existir mesmo. Aquela velha história, se todos esquecerem quer dizer que não existiu - o princípio fundamental da História (a de H maiúsculo).

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