segunda-feira, maio 19, 2003

Eu estava dormindo. O telefone tocou e era minha prima me chamando para ir à casa dela. Hoje é aniversário de 20 anos dela. E eu: ãhnnnnnn... Ela falou-falou-falou... te busco se você quiser... Peraí, hoje é seu aniversário, né? É! Ahhhhh... Então, você quer vir aqui? O quê? Como assim? Por quê? Andressa, você não ouviu? Ah, é que eu 'tava dormindo, foi mal... Daí ela teve que repetir tudo. Eu com sono é coisa de louco. Mais tarde eu ia lá na UEM, festar. Agora vou só amanhã.

Foda-se o vestibular. Nesse eu não passo mesmo. Sério. Mas como disse alguém, um dia eu passo, a UEM não vai fugir de lá mesmo... Pena que o papai não pense assim. Nem tudo é perfeito.

Mas fora isso, não 'tá tudo bem. Desde domingo passado de manhã tenho estado febril. Quente. E desde sábado, dia no qual não comi absolutamente nada, não sequer suporto ouvir falar de comida. Bem eu. Isso é realmente intrigante. Uma espécie de tristeza interior. Nada alarmante, apenas estranho...

Antes de dormir me ocorreu, ao lembrar do que a Yu escreveu [de ter saudade de mim e da Dé o tempo todo do lado, uma aturando a outra, e rindo, rindo sempre]... Puxa, lembrei que eu só gostaria de não ter que crescer, de não ter que ficar sem elas, de não podermos estar sempre junto das pessoas que nos fazem bem. É muito triste que tenhamos que não ter mais tempo para tais amenidades.

Lembrei do quanto era bom estarmos as três juntas, da Ingrid dormindo e babando, de eu e a Dé a acordarmos com dedos na cintura alheia, dos pulos da Ingrid Aparecida, delas me chamando Ellen Cristina, Démaria-san, em sinal de respeito. Meu, COMO a gente ria!!! E hoje, ao passar em frente ao colégio, vi um monte de gente que quando eu estudava lá ainda era criança... E eu me pergunto: O que me tornei agora? O que nós, seres de entre 17 e 20 anos, somos?

Talvez eu não tenha aproveitado direito aquela época. Talvez fosse melhor ficar para sempre no terceirão, sem a responsabilidade de ter que crescer, namorando o Raul eternamente. Quando digo ter que crescer não quero dizer que não cresci, apenas que de vez em quando gostaria de não pensar adultamente. Não reclamo das responsabilidades mas sim da falta de opção. Estou num ponto de ou vou para frente ou vou para frente. E não sei AINDA qual a frente que eu desejo ter à vista daqui em diante.

Enfim, às vezes me sinto uma mola encolhida diante de um mundo inteiro. E às vezes gostaria de não precisar de ninguém ao meu lado. Agora, exatamente, só queria não sentir falta de gostar...

Tudo é demais quando não se quer nada, não é mesmo?

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