terça-feira, junho 10, 2003

Hoje é o pior dia da minha vida. Pior que quando o vovô morreu - o que aconteceu a menos de um mês. Por que sou eu que estou morrendo. Sou eu que me sinto indo pelo ralo. Minha vida é que está sendo definida da pior maneira possível e quem está fazendo isso não percebe. Só pensa que é um castigo necessário. Por eu não ter decidido aos dezeseis anos o que eu gostaria de ser pelo resto da vida. Então julga ser melhor para mim a profissão de esposa ou de nada ou de vendedora de shopping.

Merda. Já deu para advinhar o que aconteceu? O papai decidiu que não vai me deixar fazer cursinho. Que
otimo. Droga. Eu: chorando de novo. O choro sempre vem quado não se sbe o que fazer. Quando não se tem a menor noção. E diz: vai fazer Biologia. Eu: mas o senhor sabe que não posso! Ele: viu? Bem feito. Quem mandou não fazer as coisas direito... Ah! Como deve ser bom para ele jogar merda na mionha cara. Como deve ser revitalizante poder dizer que eu fui uma irresponsável.

Direito de defesa? É o que menos existe quando se está nas mãos de pessoas autoritárias. Minha mãe: você já devia ter se conformado que nesta casa só existem fracassados... Nooossa! Que apoio moral, hein? E quem está do meu lado? Com quem eu posso contar? Quem vai me ajudar? Ninguém, mesmo por que é problema meu se eu não pensei com cabeça balzaquiana desde os 16 anos. É altamente reconfortante perceber que não temos jamais o direito de errar. Se eu errei por não ter certeza de nada.

Como se eu não tivesse problemas, como se eu não pensasse em ninguém além de mim. Como se não houvesse dor. Como se só fizesse o que quero - como se quisesse alguma coisa. Mas me diz: por que é que não me mataram antes de nascer então?

E agora a vontade é de matar meu corpo, já que a alma foi exterminada. Drama? Cara, se você que pensou isso não tem a menor noção do que estou dizendo, não leia, não tente me julgar fraca, covarde. Loser. Isso sim. E só escrevo que desejo minha morte como nada mais é por que estou muito perto dela e me apoio no que dizem, que cão que ladra não morde. Escrevo. Assim o risco de cometer um suicídio talvez seja menor. O medo não é da morte. É de não morrer. É de viver uma vida que não é a minha. Não é a que quero.

Como sempre: FODA-SE EU!

[é como se eu visse meu corpo automatizando-se]

E o pior de tudo é que eu tenho quase certeza que isso não vai me render um mísero comentário... Sucks.

Nenhum comentário: