quinta-feira, outubro 23, 2003

Segundo minha irmã, agora o SBT vai fazer o Pop Stars - Gay...

Sabe, eu sou péssima nesse negócio de perder. De gente que eu gosto morrer. De perder qualquer coisa. Dói muito e eu quase nunca me recupero. Até hoje, quando lembro dum bonequinho com cara de tomate que eu perdi quando tinha 6 anos tenho um nó na garganta... E foi tão difícil ganhá-lo...

Eu odeio perder. Não sou nada-nada esportiva. Meu espírito esportivo é quase nulo. É nulo. Pode ser que eu seja uma covarde, mas por enquanto não vejo a menor necessidade de me expor à uma perca da qual eu demore para começar a me recuperar.

Mas as piores perdas são as não computadas. Aquelas que demoramos para perceber. Meu avô morreu e embora eu desejasse que ele fosse imortal, embora eu tenha até acreditado nisso... Eu simplesmente não acreditava que ele pudesse me deixar. Nunca ele gostaria de não estar aqui. Nunca ele não estaria lá, no dia em que eu me formasse. Ele acrediatava em mim mais do que qualquer pessoa. Ele me botava para cima, tinha orgulho de mim e e não me pressionava como todo mundo, ele tinha certeza. A mesma certeza que eu tinha de que ele não morreria jamais. E "nunca diga nunca"... Aprendi isso num gibi, quem diria. Ele adorava me ouvir rir sozinha das histórias da Mônica, às vezes perguntava: minha gata borralheira, do que é que tá rindo à toa?

Podia parecer que eu não ligava muito. A verdade é que eu sabia que um dia ele tinha que ir embora. E eu às vezes só queria que Deus fosse legal comigo e me levasse antes dele. Quantos acidentes absurdos imaginei-me morrendo. Mas era eu e mais ninguém. Essa é do tipo computada - a perda.

São esse pequenos absurdos que se passam na minha cabeça. É o medo de perder que me faz não aparentar sentimentos, fazer observações idiotas que por vezes são além de estúpidas, inúteis e sarcásticos - leia-se que tem alto poder corrosivo, que machucam. Meus aspectos negativos são memso horrorosos...

Por perdas não computadas entendo os amigos perdidos pelo caminho. Será que eram mesmo amigos?

De qualquer maneira, é por isso que eu fiquei com aquela cara de brava quando saí com a Ana, foi por isso que não dei a mínima para o moço que queria me beijar, foi por isso que dei um troféu jóinha para o outro que disse "mas que ela é linda, é...", foi por isso que quando me ligaram com uma conversa de "agora já passou o vestibular, vamos sair? - você prometeu" eu disse que não... Xinguem-me.

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