sábado, dezembro 27, 2003

post in catarse

Acho que nunca vai ser da mesma maneira se novo. Isso é óbvio mas é difícil para eu aceitar esse tipo de conclusão. Eu, que carrego meus esqueletos, aqueles que as pessoas 'nomais' guardam no armário. Sei que isso é meio besta. Ficar com uma mania de 'verdade'. Encarar as coisas. Nem dói tanto, acho. Mas é só uma necessidade, não de sinceridade excessiva, mas de não mentir para eu mesma. E também não acho justo quando mentem para mim. Porque eu procuro não mentir, mas principalmente porque eu acredito. É muito contraditório, eu sei, eu dizer que não confio muito nas pessoas por puro medo (ou receio, como me ensinaram), e dizer também que acredito nelas. É mais ou menos assim: se eu perguntar alguma coisa, ou no meio de uma conversa, se me disserem que dois com dois são quatro eu acredito, assino embaixo e tal. O negócio da confiança é mais embaixo... Nada sai da minha boca para o ouvido de ninguém, de genuinamente e intrinsecamente meu se eu não confiar um tiquinho em meu interlocutor. Se eu valer alguma coisa para quem lê isso e algum dia teve qualquer coisa de meu, tenha certeza que você é especial para mim, e se eu não confio inteiramente em você, ao menos um pouco isso é verdade. Acho que eu sou meio trouxa. Sinto receio mas ao mesmo tempo uma grande necessidade de confiar em alguém, como se existisse uma força meio sobre-humana me impelindo a isso. Meio injusto.

Mas pulando essa parte e voltando a ser a velha Ellen que não está nem aí para nada... Acho que eu queria abraçar. Pessoas que me conhecem a mais tempo sabem o quanto isso era difícil para mim. Era algo realmente im-pos-sí-vel. E houve uma situação bem ilustrativa a esse respeito...

Eu já namorava o Raul. Acho que era na época do final do segundo ano (tipo outubro/novembro de 2000 - nooossa!! 'tô ficando veeelha...) e estávamos jogando basquete - algo que nuuunca acontecia naquela época - depois das provas bimestrais do colégio. Eu mais Raul e no mínimo a Joyde e o Bokão. Tinha mais gente, devia ser o Garcia e o Padre, talvez o Lucas Henn e o Piu mais a Gra, os malucos que jogavam basquete. Lembrei: era o último dia de aulas daquele ano e o próximo seria o ano do terceirão, O terceirão. Acho que estava tudo mais ou menos bem entre eu e o Raul. Mas o Bokão estava mais estranho que o costume, tanto que uma hora ele olhou para mim e para o Raul e pediu um abraço. Ellen tremeu: eis que meu melhor amigo me pede algo bem simples e eu sabia que não poderia, não conseguiria fazer nada por ele. Olhei: me desculpa... você me perdoa? Eu não consegui, e por um bom tempo esse foi meu pesadelo, um amigo que eu gostava tanto pedindo um mero abraço e Dona-Ellen-cheia-de-complexos não conseguindo fazer nada... Cômico se não fosse trágico.

Demorou relativamente bastante tempo e muita terapia para eu conseguir dar três beijinhos e um abraçozinho nas pessoas que não fossem meus namorados, e mesmo com eles era um verdadeiro processo conseguir uma intimidade dessas... Huh. Era como se fosse uma falsidade eu abraçar pessoas as quais eu nem sempre amava de paixão, digamos. Bem estranho. Viu? Isso é um esqueleto que eu não enterrei, preciso dele constante mente ao meu lado como um troféu: eu O superei (eu, sacas?). Daí que agora eu sou quase uma puta! Hehehe... Eu até fico com pessoas que estou vendo pela primeira (e geralmente última) vez! Embora faça bastante tempo que isso não aconteça porque resolvi que quero ir para o céu. Nada a ver. Eu fiquei 'certinha' nem sei porquê. Enjoei de só ficar, esses moleques me estressam, muito toscos... Tsc-tsc. Se eu vivo bem sem eles, por que mitificá-los? Hein-hein? Essa é uma outra (loooonga) história que eu conto outro dia. =)


pos scriptum: a parte final de mais um dos meus posts enooormes é brincadeira... qualquer coisa depois eu tento explicar...

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