Eis que ontem meu pai veio com uma conversa bem típica dele quando quer nos por em nossos devidos lugares, de completa subserviência, segundo a ótica dele do papel das pessoas de uma "família cristã", digamos. Mas eu não vou desfiar nem aqui nem agora meu discurso psicanalítico do papai. É uma looonga história. Então: ele veio com o papo de que eu era muito revoltada e mal agradecida. A noção de revolta dele é mau-humor e desobediência e namorados não arranjados por ele. Bem, ele nunca tentou de verdade arrumar namorado pra mim, e acho que nunca tentaria, pois para dad, filhos devem ser seres assexuados e desprovidos de necessidades emocionais tais como beijos e abraços que não vindos dele, isso que ele nunca me deu um só abraçozinho. Isso não é mentira, tampouco exagero meu. Daí eu, num rompante de coragem de desagradar papai com uma resposta sincera que não ia completamente de acordo com suas convicções de como um filho deve agir com seus pais, respondi coerentemente que: papai, o senhor está enganado a meu respeito. Isso que o senhor diz não é verdade desde meus treze anos. Por que a revolta à qual ele se refere é aquela típica da fase eu sou um cu de nossas existências mortais (adolescência). EU RESPONDI MEU PAI NA NOITE DE NATAL!!! 'Tá.
Como consegui escapar da praia esse ano, papai resolveu dizer que não ia porque eu estou machucada. Nada a ver. Desculpa. Não vai porque ele também não quer. Ainda bem. Imagina eu na praia, quebrada e de mau humor ante pessoas constantemente bêbadas e talvez felizes, garotas tolas e sem assunto torrando ao sol do meio-dia, pegando suaves cânceres de pele... É que eu 'tô de bom-humor. 'Magina... Vamos passar o ano novo com os primos do papai, em Marialva! Maaaaaaassa!!! Eles são completamente pirados. E tem umas tias e primas comédia. Vai ficar todo mundo bêbado. Vou levar Sagarana (do Guimarães Rosa). Tudo bem, eu nem estou reclamando =) Eu só gosto mesmo de ficar num canto lendo e pensando nas pessoas. Principalmente agora...
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Existe um treco estranho que não tem muita explicação e a gente chama de tempo. Ele é quem vai me dizer se o que eu sinto não é invenção só da minha cabeça solitária. Parece que eu me apaixonei.
Mas falando de tempo, eu posso dizer que 2003 foi um ano perdido. Comecei fazendo faculdade de biologia, o que eu não queria nem a pau. Daí eu fui contra tudo e contra todos, larguei os bichos do primeiro ano, que poderia ser resumido em bactérias e parentes de baratas e lombrigas... Então vovô morreu na semana do vestibular de maio. Fui fazer cursinho patrocinada por meu tio, que me adora e meu pai odeia. Inimigos particulares e tal. Não passei num vestibular maluco no qual 47% das pessoas zeraram a redação por que fui mal (justamente) em biologia ?? Mas 'tá. Perdi de vez o que um dia foi um grande amigo e cheguei a brilhante conclusão que não existe essa história de segunda chance. Errou 'tá errado, não adianta querer consertar nem implorar uma segunda chance, que as pessoas são mesquinhas o suficiente para pedi-las e não as darem a ninguém.
Que bom que já está no fim. =þ
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