sexta-feira, dezembro 19, 2003

Tem uma coisa que sempre acontece (vive acontecendo) e eu sei que não é só comigo.

Por que nós fazemos *de tudo* por uma pessoa e não se dispõe a *nada* por outra? Por que de um suposto amigo aceitamos tudo e qualquer coisa que outro fizer nos faz gostar menos dele? Por que amamos muito um alguém e por este alguém nos anulamos - ou quase - e corremos atrás, e aceitamos situações e imposições que antes não suportaríamos e depois negaríamos ter concedido?
Quem inventou isso não era muito esperto ou gostava mesmo é de dramalhão mexicano.
Para quem está só assistindo é fácil dizer: mas como é burro! (o ser que se 'rebaixa') A questão é que às vezes ficamos felizes quando nos pomos em tais situações, onde nossa posição ante o outro é de subserviência. (feliz = iludido - não concordo inteiramente com isso...)
Se eu pensar muito, o que vivo fazendo, concluo que a chance (estatística) de um relacionamento, qualquer que seja sua conotação - amizade, convivência pré ou pós matrimonial - dar certo é meio nula. Fora que tem a questão da dependência. É tão propagado que não se deve, não se pode, não é "saudável" depender de nada nem de ninguém que é difícil permitir uma coisa assim.
Pensa-se: eu dependo de alguém, legal; o alguém depende de mim, ótimo. Mas e quem é que depnde mais de quem? Como saber? Não há como saber. Claro. Então o mundinho racional ferrou o emocional. A resposta: mas tem que confiar! A pergunta: e quem *confia* em alguém hoje?
Ninguém. Estão todos muito afim de 'curtir'. Brindar a vida etc. Carpe diem moçada. Como se isso fosse tudo e suficiente para tapar o buraco antes de dormir... .
Sabe em que eu acredito? Que temos que tentar sim e procurar confiar. O mundo machuca muito e isso é um clichê sim. Também é uma negligência nossa. De qualquer maneira, eu não desisti ainda. Embora ficar só seja simplesmente mais fácil e cômodo (o buraco do meu dente continua vazio, mas arrumo vícios que o mascare tão bem para nem eu lembrar), embora seja quase uma luta não entregar os pontos de vez, eu continuo acreditando que o melhor achar alguém que complete. Ou complemente.                     

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